Sobre o que o tempo ensina…
Tomei meio que uma consciência de que tudo vem pra ir embora. E isso me destrói, aos poucos. Como se de repente tudo que eu tenho nas mãos fosse caindo por entre os dedos e se afastando pra sempre. E a dor de só ter lembranças como respostas a planos de vida – já tão desgastados e insustentáveis – são o que me restam para poder sobreviver a mais uma perda da minha lista lotada de histórias trágicas e traiçoeiras.
Parece que, com o passar dos anos, me tornei uma pessoa mais infantil. Correndo atrás de doces que o tempo fez questão de levar pra longe. E vou me ferindo, me afastando, indo embora de coisas que nem sequer começaram, como resposta a tantas cicatrizes ou até mesmo rombos escancarados pelo corpo inteiro.
O que me dói, de ponta a ponta, é perceber que tudo nessa vida tá sempre indo pra longe e sendo feliz sem a minha presença, é perceber que eu tô sempre sendo deixado pra trás por pessoas que me prometerem que o pra sempre existia. O que me dói é a esperança de o agora ser só um instante, segundos que se não forem aproveitados com o máximo de intensidade se rastejam até a porta mais próxima pra nunca mais voltarem. O que me dói é ter de aceitar que eu preciso ter a consciência de que o “até que a morte nos separe” não existe.
E cansei. Cansei mesmo de estar sempre procurando no outro aquilo que eu preciso achar dentro de mim. Cansei de achar que ninguém é bom o suficiente pra mim, porque botei na minha cabeça que aquela pessoa é tudo que eu preciso pra viver. Cansei de colocar num pedestal uma pessoa que tá sempre dizendo que vai embora. Eu cansei de histórias que nunca começam. Pra mim, hoje, essa coisa de estar cansado virou rotina.
Porque eu vivo dizendo que cansei de tanta coisa, de tanta gente, que tô esvaziando espaços e deixando cicatrizar feridas e continuo sendo o mesmo. Sendo metade do que eu posso ser. Sendo só o que os outros esperam que eu seja.
Eu queria não ter de buscar dentro de mim uma pessoa que entrou na minha vida e me prometeu felicidade só pra poder esconder toda a tristeza que venho sentindo.
Acho que durante metade da minha vida eu só vivi estórias. E agora eu preciso aprender a viver histórias. Entende? Eu tenho que abandonar uma linha tênue que sempre me fez supor ser feliz, mas eu não posso ser feliz enquanto eu não estiver satisfeito comigo mesmo. Eu não posso acreditar que uma pessoa pode ser capaz de me dar o que eu não estou sendo capaz de me proporcionar.
Eu acredito que amor, amor mesmo… Acaba. Mas não morre dentro da gente.
Ficam lembranças que nos ensinaram a ser quem somos. Ninguém é capaz de esquecer um grande amor que, mesmo tendo acabado, fez da gente o que estamos sendo nos nossos novos relacionamentos.
A minha linha de raciocínio, hoje, é meio que as pessoas entraram dentro de bolhas só por medo de se ferirem e as poucas que conseguiram relacionamentos duradouros vivem com medo de que isso se perca. Mas fica aqui uma pequena nota a respeito: Nada, nada, nada. NADA dura pra sempre. Não importa se é o maior amor do mundo, se é o cara que você quer que esteja a vida inteira com você… As pessoas entram, aprendem e vão embora. A vida funciona assim. O difícil é aceitar isso.